Reflexões e Provocações - Blog do Professor Henrique Branco

Professor de geografia em Belém do Pará. Especialista em geografia da Amazônia: Sociedade e gestão dos recursos naturais. Militante socialista, em busca de um mundo mais justo e menos desigual. Email para contato: henriquembranco@gmail.com

20

de
September

O papel da universidade no Brasil nos dias atuais

 

 

Não pretendo aprofundar neste espaço o papel das universidades brasileiras, tamanho é o grau de complexidade do assunto. O tema requer uma abordagem profunda e processual. A reflexão surgiu a partir de suposições que levantei em pensamentos momentâneos sobre a questão.

Será que as nossas universidades, sobretudo, as públicas estão preparando cérebros pensantes para o país? Ou melhor, pessoas produzindo, pensando projetos e ações para o Brasil? Percebe-se que a intelectualidade brasileira vive uma inércia contínua. Essa afirmação procede na comparação de em décadas anteriores, em que se pensava o Brasil. Os partidos políticos – na sua grande maioria – detinham projetos nacionais.

Nos anos 50 do século passado, a tarefa dos intelectuais era bem clara! Pensar o país e suas problemáticas e conseqüentemente soluções. O aparelho estatal detinha em seus quadros excelentes cérebros pensantes, além de um corpo técnico de primeira linha. Não que isso não exista mais hoje, mas hoje, o processo é bem diferente. Parece-me que não há empolgação e ações de mudança, de ação.

Desde o processo de redemocratização do país, em 1985, não houve um projeto de nação, algo acima de interesses ou conchavos políticos, algo suprapartidário. Segundo o geógrafo, Milton Santos, no Brasil, nem o Estado tem um projeto nacional, quanto mais os governos. Já que em sua análise se o Estado não desenvolve ações que visem o desenvolvimento do país, não haverá por parte do seu centro de poder, ou seja, os governos essa ação.

Em outras épocas as universidades brasileiras tinham um papel fundamental, a de ser centros críticos, de criarem espaços onde se pensava o país. O papel da maioria das universidades no Brasil é formar pessoas. Não há a formação nem a do cidadão, ou seja, aquele preocupado em entender e refletir sobre seu país.

O presidente Lula, em uma entrevista a revista Caros Amigos, no ano de 1993, disse: “É muito triste ver os jovens hoje, saindo das universidades em sonhos, sem a preocupação de servir ao país. Antigamente os jovens saiam das universidades sonhando em contribuir com o desenvolvimento do país. Hoje não! É cada um pensando em si”. A fala de Lula reflete bem a realidade de hoje.

Quem é a intelectualidade brasileira de hoje? Responder essa questão é fundamental. Saber o que é ser intelectual no Brasil hoje. Segundo Santos (1997), a intelectualidade brasileira está intrinsecamente ligada ao aparelho estatal. Está na natureza da intelectualidade em nosso país. Não que isso seja errado, é até bom! O problema é que esses pensantes perdem sua essência crítica por estarem vinculados ao poder. É isso é preocupante. A instituição de uma formatação de ação e programas.

Uma outra questão na qual me propus a analisar é a relação de conhecimento produzido nas universidades e sua aplicabilidade. Entre essa relação está o processo de globalização. Parece-me que os métodos, as formas de produzir conhecimento estão cada vez mais padronizados, ou seja, a criticidade, natureza de algumas ciências, no meu caso a geográfica, estão perdendo suas características.

Outro processo que vale a pena refletir e o atual estágio de mercantilização da educação, em todos os níveis. Esse processo é cada vez mais latente que poderá moldar o ensino, produzindo conhecimento conforme as conveniências de grupos econômicos? É algo a ser pensado. Não que nunca tivesse ocorrido o processo de mercado no ensino, mas o aprofundamento da questão precisa ser refletida.

Filed under: Educação I

1 Comment »

  1. Comment by Elvis Sousav — Wednesday, 7 de November de 2012 (01:46:31)

    É uma questão relevante, para acentuar ou provocar, por que o Brasil, nunca teve um Prêmio Nobel ? Por que os melhores e mais brilhantes alunos, são captados pelas melhores universidade de fora, e mesmo, assim, não vemos resultados profundos, em termos de impacto no Brasil ou mundo. O grande neurocientista Miguel, caso fosse laureado, não seria um cria brasileira, seria resultado de seus trabalhos fora do país que lhe outorgaria essa honra, e se a USP, é dita a melhor, por que não vemos impactos significativos ? Elvis Sousa, Fundador do GEA, Grupo de estudos avançados e aplicáveis.

Leave a comment

RSS feed for comments on this post. TrackBack URL

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://henriquegeo.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.