22
de
agosto
As eleições de 2010 no Pará. Parte XIII
Com a proximidade da eleição de outubro algumas posições e cenários vão se acomodando naturalmente. No plano federal, pelo andar da carruagem, a candidata petista, Dilma Rousseff poderá vencer ainda em primeiro turno José Serra. A última pesquisa aponta a petista 17 pontos à frente do tucano.
Na esfera estadual há um dado interessante, ou melhor, ausência deles, pois não há pesquisa sobre o governo do estado do Pará. Algumas pesquisas foram realizadas, mas restritas aos partidos que as encomendou para estratégias de campanha. Oficialmente não há pesquisa. Por quê?
Parece que o resultado não agrada nenhuma das legendas que estão com reais chances de conquistar ou se manter no Palácio dos Despachos, leia-se: tucanos e petistas. O que sabe é que o Ãndice de rejeição a governadora Ana Júlia ainda é alto, chegou na RMB perto dos 70%, deixando os petistas de cabelo em pé. Hoje, através de ações eleitoreiras esse Ãndice baixou, mas ainda está acima do esperado.
Não há consenso com relação a quem está na frente. Algumas pesquisas apontam a liderança de Jatene, em outras Ana Júlia lidera. A supremacia petista é um fator importante para a vitória. Ana Júlia conta com 14 partidos em sua coligação. Nos últimos dias, mais de 50 prefeitos confirmaram apoio a governadora, muito deles de partidos que disputam com o PT a eleição.
Do lado tucano há um cenário de desilusão e incerteza quanto ao resultado da campanha. Jatene não tem recursos para uma disputa para governador, que requer investimentos de milhões de reais. Sem apoio da máquina estadual e federal, resta ao ex-governador tucano apoio de um pingado de prefeitos de sua legenda no interior, além de doações de empresas, interessadas na sua volta ao poder. A mesma limitação orçamentária encontra o candidato do PMDB, Domingos Juvenil, que sem dinheiro mantém seu raio de ação concentrado na sua região (no eixo da rodovia transamazônica, especialmente na cidade de Altamira, onde foi prefeito) e RMB.
Ana Júlia por outro lado, detém a máquina estadual, apoio de BrasÃlia e uma polÃtica de aliança que garante boa inserção de tempo de TV e nos interiores controlados pelos partidos que a apóiam. A candidata petista está no segundo turno, mas o PT - assim como no cenário federal - quer liquidar a fatura no primeiro. Tarefa não tão fácil, pelo alto Ãndice que rejeição ao governo de Ana Júlia.
Em qualquer eleição é fundamental ter recursos, um grande orçamento para as despesas, principalmente de deslocamento. No estado do Pará essa questão é mais grave e requer esforço dobrado. Primeiramente pela extensão territorial. Segundo pelos gargalhos estruturais do estado, tornando a campanha muito mais favorável aos que tem recursos e podem deslocar-se por esse paÃs chamado Pará.

