20
de
julho
Solidariedade ao Lúcio Flávio Pinto

Caro Lúcio,
É com perplexidade e indignação que recebi a notÃcia de sua nova condenação ao ler a última edição de seu jornal (1º quinzena de Agosto, nº 446) sob o tema “Punido em Belém, premiado em São Paulo”. A decisão impetrada pelo juiz da 4º Vara CÃvel da capital, no qual, o jornalista deve pagar - a tÃtulo - de indenização aos irmãos Maiorana, Romulo e Ronaldo o valor de 30 mil reais, além de ser proibido de fazer menção à famÃlia.
Segundo o magistrado, Lúcio, em suas produções atingiu a honra e a memória de Romulo Maiorana pai, o que estimulou os filhos de mover ação contra o jornalista.
Na página seis de seu quinzenal, Lúcio escreve sobre o ocorrido, relacionando outros fatos jurÃdicos ocorridos em sua carreira, além de postar um tÃtulo forte e oportuno. Enquanto o jornalista amazônida deveria ter ido a São Paulo para receber prêmio e ser homenageado no encontro, tinha que comparecer ao tribunal. Uma pena.
Quantos poderiam ser orgulhar de ter um jornalista do gabarito de Lúcio. Jornalista que se acostumou a ministrar palestras pelos estados brasileiros e paÃses ao redor do mundo, um dos maiores conhecedores da Amazônia, sendo respeitado pela Universidade, se vê tolido de expressar suas opiniões e investigações, por conta de decisões, no mÃnimo “estranhas” como o próprio Lúcio chama a atenção.
A opção profissional escolhida por Lúcio, que lhe tirou de uma dos maiores grupos de comunicação do Brasil, em prol de discorrer - como poucos - sobre sua região. Abdicou de maior visibilidade, recursos financeiros, para tocar um projeto pessoal e profissional.
Seguiu um caminho independente, um jornalismo verdade, investigativo, de responsabilidade, blindado a interesses externos de grupos polÃticos e econômicos, que produzem pautas e reportagens aos seus interesses. Por essa postura, Lúcio paga preço caro por isso.
Além de agressões verbais, registrou-se em 2005 agressão fÃsica de Ronaldo Maiorana na saÃda de um restaurante em Belém. A ação grotesca e repudiante de Ronaldo foi justificada pelo mesmo por conta de matéria de Lúcio em seu jornal sobre o império da famÃlia Maiorana. O que acaba por não justificar o ocorrido.
A postura jornalÃstica de Lúcio Flávio é impar, algo raro. Poucos jornalistas seguem essa postura. Preferem se vender ou trabalhar aos interesses de grupos poderosos.
Por conta disso, me solidarizo com Lúcio e repudio ações que visem calar aos que tem coragem de falar, de investigar, de dizer a verdade, de expor o que está apenas nas entrelinhas, longe do conhecimento do grande público, o que neste sentido, Lúcio exerce papel de utilidade pública.
Lúcio que - por limitações financeiras, ou até por opção profissional - acostumou-se a trabalhar e exercer funções sozinho, sem ajuda de ninguém. Seguindo solitariamente contra interesses de poderosos, de grandes empresas privadas, na qual o jornalista acusa de espoliar as riquezas do estado do Pará, ou melhor, de seu povo. Denúncias contra grandes grupos de comunicação, empresas familiares poderosas.
O que chama mais atenção é que as denúncias de Lúcio em seu jornal quinzenal, nunca são desmentidas, corrigidas pelo alvo denunciado, não existe direito de resposta ou, pelo menos, retratação do jornalista. Será que as denúncias são verdades? Ao ponto dos denunciados preferirem se calar, se fingir de morto? Não há argumentos para combater as ações apresentadas por Lúcio? Tamanha a riqueza nos dados afirmados pelo jornalista.
Uma das maiores empresas mineradoras do mundo, que atua no Pará, quase em regime de monopólio, é um dos alvos principais do jornalista. Quase sempre Lúcio apresenta em seu quinzenal matéria contra a empresa. Nunca houve manifestação do grupo contra o jornalista.
Por conta de sua forma impar de exerce o verdadeiro jornalismo, não aquele praticado maciçamente, que manipula e cria notÃcias convenientes e que escamoteiam a verdade em prol de interesses quase sempre obscuros e poucos convincentes. A incomodação que Lúcio causa é tamanha que, esses grupos poderosos se utilizam da justiça para fazer valer suas vontades e seus projetos pessoais.
Mas como o próprio Lúcio diz em curta entrevista que li na edição dominical de Diário do Pará, ao jornalista Elias Pinto: “meus perseguidores, com este ato, ontem e hoje, acham que podem abater meu ânimo, quebrar a minha moral e abrir caminho para me calar de vez. Equivocam-se mais uma vez.” Nesta entrevista Lúcio rebate as verdadeiras intenções do magistrado na decisão, além de agradecer as milhares de manifestações a seu favor pelo público.
Engrossando o coro dos descontentes e crÃticos a decisão do judiciário, faço desse espaço democrático uma ferramenta de exposição, de resposta e manifestação contra ações que visem calar qualquer pessoa do direito de se expressar livremente. De decisões que desestabilizem o direito de expressão, do verdadeiro espÃrito democrático, não aquele pseudo, do faz-de-conta, que serve apenas para alguns em detrimento a milhares.
Lúcio continue sendo essa voz, aquela que grita em prol da região, de seu povo, de suas riquezas, que esperneia contra essa forma de apropriação escamoteada por um discurso perverso de desenvolvimento, da voz que denúncia ações ilÃcitas, que acusa com conhecimento de causa e provas contundente, que não permite ao acusado rebater ou procurar alternativas e ações reacionárias.
Força Lúcio.


Sempre houve o debate sobre a obrigatoriedade ou não do diploma para determinadas profissões. Vire e mexe essa questão vem à tona. No jornalismo debate sempre permeou as rodas e as discussões sobre o tema.
