Reflexões e Provocações - Blog do Professor Henrique Branco

Professor de geografia em Belém do Pará. Especialista em geografia da Amazônia: Sociedade e gestão dos recursos naturais. Militante socialista, em busca de um mundo mais justo e menos desigual. Email para contato: henriquembranco@gmail.com

20

de
julho

Solidariedade ao Lúcio Flávio Pinto

Caro Lúcio,

É com perplexidade e indignação que recebi a notícia de sua nova condenação ao ler a última edição de seu jornal (1º quinzena de Agosto, nº 446) sob o tema “Punido em Belém, premiado em São Paulo”. A decisão impetrada pelo juiz da 4º Vara Cível da capital, no qual, o jornalista deve pagar - a título - de indenização aos irmãos Maiorana, Romulo e Ronaldo o valor de 30 mil reais, além de ser proibido de fazer menção à família.

Segundo o magistrado, Lúcio, em suas produções atingiu a honra e a memória de Romulo Maiorana pai, o que estimulou os filhos de mover ação contra o jornalista.

Na página seis de seu quinzenal, Lúcio escreve sobre o ocorrido, relacionando outros fatos jurídicos ocorridos em sua carreira, além de postar um título forte e oportuno. Enquanto o jornalista amazônida deveria ter ido a São Paulo para receber prêmio e ser homenageado no encontro, tinha que comparecer ao tribunal. Uma pena.

Quantos poderiam ser orgulhar de ter um jornalista do gabarito de Lúcio. Jornalista que se acostumou a ministrar palestras pelos estados brasileiros e países ao redor do mundo, um dos maiores conhecedores da Amazônia, sendo respeitado pela Universidade, se vê tolido de expressar suas opiniões e investigações, por conta de decisões, no mínimo “estranhas” como o próprio Lúcio chama a atenção.

A opção profissional escolhida por Lúcio, que lhe tirou de uma dos maiores grupos de comunicação do Brasil, em prol de discorrer - como poucos - sobre sua região. Abdicou de maior visibilidade, recursos financeiros, para tocar um projeto pessoal e profissional.

Seguiu um caminho independente, um jornalismo verdade, investigativo, de responsabilidade, blindado a interesses externos de grupos políticos e econômicos, que produzem pautas e reportagens aos seus interesses. Por essa postura, Lúcio paga preço caro por isso.

Além de agressões verbais, registrou-se em 2005 agressão física de Ronaldo Maiorana na saída de um restaurante em Belém. A ação grotesca e repudiante de Ronaldo foi justificada pelo mesmo por conta de matéria de Lúcio em seu jornal sobre o império da família Maiorana. O que acaba por não justificar o ocorrido.

A postura jornalística de Lúcio Flávio é impar, algo raro. Poucos jornalistas seguem essa postura. Preferem se vender ou trabalhar aos interesses de grupos poderosos.

Por conta disso, me solidarizo com Lúcio e repudio ações que visem calar aos que tem coragem de falar, de investigar, de dizer a verdade, de expor o que está apenas nas entrelinhas, longe do conhecimento do grande público, o que neste sentido, Lúcio exerce papel de utilidade pública.

Lúcio que - por limitações financeiras, ou até por opção profissional - acostumou-se a trabalhar e exercer funções sozinho, sem ajuda de ninguém. Seguindo solitariamente contra interesses de poderosos, de grandes empresas privadas, na qual o jornalista acusa de espoliar as riquezas do estado do Pará, ou melhor, de seu povo. Denúncias contra grandes grupos de comunicação, empresas familiares poderosas.

O que chama mais atenção é que as denúncias de Lúcio em seu jornal quinzenal, nunca são desmentidas, corrigidas pelo alvo denunciado, não existe direito de resposta ou, pelo menos, retratação do jornalista. Será que as denúncias são verdades? Ao ponto dos denunciados preferirem se calar, se fingir de morto? Não há argumentos para combater as ações apresentadas por Lúcio? Tamanha a riqueza nos dados afirmados pelo jornalista.

Uma das maiores empresas mineradoras do mundo, que atua no Pará, quase em regime de monopólio, é um dos alvos principais do jornalista. Quase sempre Lúcio apresenta em seu quinzenal matéria contra a empresa. Nunca houve manifestação do grupo contra o jornalista.

Por conta de sua forma impar de exerce o verdadeiro jornalismo, não aquele praticado maciçamente, que manipula e cria notícias convenientes e que escamoteiam a verdade em prol de interesses quase sempre obscuros e poucos convincentes. A incomodação que Lúcio causa é tamanha que, esses grupos poderosos se utilizam da justiça para fazer valer suas vontades e seus projetos pessoais.

Mas como o próprio Lúcio diz em curta entrevista que li na edição dominical de Diário do Pará, ao jornalista Elias Pinto: “meus perseguidores, com este ato, ontem e hoje, acham que podem abater meu ânimo, quebrar a minha moral e abrir caminho para me calar de vez. Equivocam-se mais uma vez.” Nesta entrevista Lúcio rebate as verdadeiras intenções do magistrado na decisão, além de agradecer as milhares de manifestações a seu favor pelo público.

Engrossando o coro dos descontentes e críticos a decisão do judiciário, faço desse espaço democrático uma ferramenta de exposição, de resposta e manifestação contra ações que visem calar qualquer pessoa do direito de se expressar livremente. De decisões que desestabilizem o direito de expressão, do verdadeiro espírito democrático, não aquele pseudo, do faz-de-conta, que serve apenas para alguns em detrimento a milhares.

Lúcio continue sendo essa voz, aquela que grita em prol da região, de seu povo, de suas riquezas, que esperneia contra essa forma de apropriação escamoteada por um discurso perverso de desenvolvimento, da voz que denúncia ações ilícitas, que acusa com conhecimento de causa e provas contundente, que não permite ao acusado rebater ou procurar alternativas e ações reacionárias.

Força Lúcio.

17

de
julho

Parabéns ao blog

Este endereço eletrônico está completando três anos de existência. No dia 14 de julho de 2006 criei este espaço para discussões, debates, reflexões e como o próprio título diz: provocações.

Ao criá-lo tinha como objetivo abordar apenas assuntos relacionados a política. Com o passar dos acontecimentos fui sendo estimulado a me debruçar sobre diversos outros assuntos, variando entre futebol e acontecimentos macabros.

Por conta dessa diversificação de abordagem, fui sendo obrigado a criar outras categorias. Além da política, apareceram a de economia, atualidades, geopolítica (pelo próprio ofício de formação) e Amazônia (minha atual especialidade). Dessa forma o referido blog abriu um leque de possibilidades de abordagens.

Confesso aos leitores que não esperava que o meu blog chega-se a comemorar três anos de existência. Pensei que não conseguiria mantê-lo - quase que diariamente - conectado. Não por falta de competência, mas por falta de tempo. Em um período curto de tempo tinha que terminar minha graduação (com tarefas minhas e alheias) - ao mesmo tempo - tocar uma pós-graduação. Foi difícil, mas conseguir.

O tempo foi passando, o articulista foi (como em um processo natural de desenvolvimento) melhorando, não só a escrita, mas no desenvolvimento dos textos e dos assuntos abordados. Ainda tenho muito a melhorar, mas posso me dar o mérito do desenvolvimento pessoal e dos elogios que recebo dos que lêem.

Não é fácil criar um espaço como este, mantê-lo atualizado, sem ajuda e sem receber nada por isso. Apenas pelo prazer de escrever e expressar as reflexões pessoais de um simples professor. Para quem tem um blog sabe perfeitamente do que estou falando. Essa ferramenta vicia, cria hábito e enraíza em nós.

Nesses três anos, produzir 349 textos (incluindo este) em onze categorias. Foram deixados 70 comentários dos leitores. Muito destes com árduas críticas e até de ordem corretiva sobre algumas falhas de escrita. Nunca as apaguei, não poderia agir dessa forma. Se criei esse espaço é para debater, refletir, discutir e aceitar a opinião contrária, muitas destas com razão e coerência. Não seria justo e até democrático de minha parte não aceitar “puxões de orelha” de meus atenciosos leitores. Essas críticas com o tempo diminuíram (e se a modéstia me permitir) não as recebo a um bom tempo. Isso mostra o processo evolutivo que já me referi acima.

Meu primeiro texto (14/07/2006) se chamou: “A leviandade”, na qual, abordei a fala do então governador de São Paulo (Carlos Lembo - DEM) sobre os incidentes ocorridos na cidade, produzidos por uma facção criminosa que atua nos presídios paulista. Na situação critiquei a postura do governador, da forma despretensiosa que encarou aquela situação.

Em seguida me debrucei sobre as eleições de 2006. Na ocasião produzi dezenas de artigos sobre o tema. O que acabou por concentrar meus esforços no decorrer desse tempo.

A tendência de expansão de blog´s ao redor do ainda é desconhecida. O que se sabe que essas novas mídias vieram para ficar e tomar cada vez mais espaço de veículos tradicionais, como os jornais impressos. A massificação de blog´s é algo maravilhoso, pois estimula a sociedade em escrever. Calcula-se que hoje existam mais de 50 milhões de blog´s ao redor do mundo e esse número só tende a aumentar.

Espero continuar essa minha saga por muitos anos, comemorando diversos outros aniversários. Parabéns ao blog e a mim.

14

de
julho

A guerra da televisão

Ao assistimos um simples programa de televisão em um determinado canal, não percebemos o que está por trás ou o que envolve o que estamos assistindo. Nos telespectadores estamos diante de uma guerra declarada diária entre as principais emissoras do país, em especial a Rede Globo e a Rede Record.

A supremacia do canal da família Marinho nunca se discutiu, e que essa liderança sempre esteve em evidencia e que não havia possibilidades de nenhuma emissora ameaçasse a domínio global. Até anos atrás era a quarta maior do mundo, a segunda maior da América Latina.

Durante décadas a Globo, tinha influência até dentro de governos, a história credita a emissora dos Marinhos a escalação de ministros de Estado na época da ditadura. Pode se acusar a Rede Globo de muitas “coisas”, mas deve-se respeitar a qualidade em que a emissora dispõe. Não que tudo na Globo seja interessante ou de utilidade para o país. Existem alguns “besteiróis” como em qualquer outra emissora de televisão.

A Rede Record que hoje já disputa a audiência com a emissora global, ultrapassando a Globo em diversos horários, tornando-se (isso sem constrangimentos) nada mais do que uma cópia da emissora carioca. Como o modelo de produção da Rede Globo é referência, no qual, podemos incluir novelas, telejornais e entretenimento, a emissora de Edir Macedo, copia o que dá certo na concorrente.

Como a Rede Record é do grupo da Igreja Universal, uma máquina de produzir dinheiro, o problema para a Record pode ser tudo menos recursos para investir, o que de fato está fazendo.

Aproveitando-se de certo desgaste no formato da emissora carioca, a Record investiu pesado na contratação de diversos jornalistas e profissionais que fazem a televisão para engrossar sua grade de programação. De forma tímida no inicio, mas de forma contundente nos últimos anos.

Dessa forma desbancou a Rede Bandeirantes e depois o SBT de Silvio Santos, assumindo a vice-liderança. A emissora de Edir Macedo investiu de forma setorizada. Primeiro, no jornalismo, buscando criar fidelidade com o público e deixar sua marca nesse setor. Próximo passo seria o entretenimento, com programas de auditório e apresentadores de renome.

No início de 2000, a Rede Globo, enfrentou uma grave crise financeira, além de ter seu nome veiculado a esquemas de favorecimento no repasse de verbas e liberações de concessões para seu canal a cabo. Esse assunto nunca foi resolvido, correndo em segredo de justiça.

A Record cresceu, sendo regada pela mina da Igreja Universal. Com isso fez contratos milionários com diversos profissionais. Declarou guerra a Globo. Tem a obsessão de desbancar sua concorrente e torna-se a número um.

Agora Edir Macedo quer disputar e quem sabe ultrapassar a Rede Globo na área do esporte. Na qual a emissora do bispo engatinha atualmente. Para isso, contratou a peso de ouro a apresentadora Milena Ciribeli e uma ampla equipe. A Record conseguiu comprar os direitos exclusivos de transmissão da próxima Olimpíada em 2012. Uma grande sacada empresarial.

Com o crescimento da Record, e a real ameaça de perder a liderança, a Rede Globo iniciou um projeto de retomada de qualidade e simpatia com o público. Para isso mudou sua forma de fazer televisão. Implementou em sua grade programas de auditório, mas agora, para um público mais popular. Por isso diversos programas tornaram-se mais direcionados a outros públicos, que até então não estavam no foco da emissora. Por conta disso, a emissora dos Marinhos, era tida como um canal elitizado. Diversos quadros da Globo tornaram-se atrativos ao público.

Essa disputa entre Rede Globo e Rede Record pela liderança da TV aberta no país, pode proporcionar aos telespectadores mais qualidade no que vai para o ar. A concorrência neste sentido é bem vinda. Por outro lado, essa guerra deve ter limite, sem apelações ou produções que reduzem a inteligência do telespectador.

Como as emissoras são permitidas por uma concessão pública, o governo deveria cobrar dessas emissoras, horários de programas educativos e de utilidade pública. Não só em horários inacessíveis, como os da Globo, que produz programas na madrugada. Quem os assistem? Uma parcela mínima da população. E a Record, o que ela está produzindo nesta área?

Devemos cobrar de nossas autoridades a qualidade e uma maneira de fazer televisão mais educativa e menos apelativa. E não me venham com esse papo de censura.

29

de
junho

Fecham-se as cortinas e apagam-se as luzes!

Desde quando criei esse espaço de reflexões, debates e até provocações, tinha como objetivo analisar assuntos relacionados à política, economia, geografia e atualidades, estas ligadas as primeiras propostas. Pois bem, como assuntos que não esperamos mais que acontecem, estigou-me a escrever sobre a morte de Michael Jackson.

Confesso que nunca acompanhei ou me interessei na discografia de Jackson, escutava e cantava as músicas mais conhecidas e que tocavam em qualquer lugar. Pela idade não poderia ter acompanhado o auge de Michael nas décadas de 80 e metade de 90, fiquei mais interessado pelos escândalos do que pela carreira, assim como grande parte da mídia.

A história de Michael Jackson é brilhante e de muito mérito. Aos cinco anos de idade já integrava o quinteto da família ao lado dos irmãos, abdicando a infância pelas obrigações e por horas exaltivas de ensaios e shows. Quando não estava cantando, estava sendo pressionado pelo pai com alguns safanões como forma de pressão psicológica. Dessa forma - através da música - os Jackson´s quebrava a lógica de uma família negra americana, a da pobreza e de classe inferior na sociedade.

Pelo sucesso pessoal frente aos irmãos a carreira solo era uma questão de tempo e de contrato, como de fato aconteceu no início dos anos 70. O desafio agora era seguir sozinho.

Em 1972 lançou o álbum “Ben” começando a chamar a atenção da crítica e reafirmando seu destaque no “Jackson Five”. No ano de 1979 chegava as lojas o segundo álbum solo, “Off the Wall”, deslanchando a carreira de Michael, com o single “Don´t stop Till you Get Enou” chegando no topo das paradas.

Com “Thriller” a redenção ao gênio, ao dito e reconhecido “rei do pop” finalmente chega e Michael torna-se um mito. O referido álbum torna-se (e ainda hoje continua) como sendo o mais vendido na história da música mundial. A vendagem chega aos 106 milhões de unidades no mundo inteiro.

Depois Michael lançou ainda mais quatro álbuns de músicas inéditas (Bad [1987]; Dangerous [1991]; Music And Me [2000] e Invincible [2001]) e inúmeras coletâneas que reuniam seus grandes sucessos solos e da época em que dividia os palcos com os irmãos.

A verdade é que enquanto o sucesso dos palcos encantava o mundo, o homem Michael Jackson sofria da solidão e do próprio sucesso. Os traumas psicológicos da infância lhe acompanhavam e o destruía aos poucos.

Os distúrbios de personalidade apresentada como excentricidades de um astro, escamoteavam as razões e perdas. Michael não se preparou - ou não teve tempo para isso - para o sucesso, que o engoliu e tornou-o, talvez, uma pessoa que ele não queria ser. Mas ele não tinha escolha. Os contratos milionários e as responsabilidades que tinha como um astro, um rei, lhe obrigava a seguir independente de sua vontade.

A infância roubada lhe tornou - pelo menos no campo psicológico - o “Peter Pan”, que não crescia nunca e era uma eterna criança em corpo de adulto. Michael se via assim e se postava como tal. Dessa forma agia de forma dissimulada para alguns e verdadeiramente para outros.

Isso pode explicar sua relação com crianças, não só da forma como a mídia abordou, mas ajudando-as com milhares de dólares e nas letras de suas músicas. Seguindo o personagem, criou em seu rancho a “terra do nunca” ou “Neverland”. Esse talvez tenha sido o seu maior pecado, o que lhe levou direto aos escândalos e situações “armadas” da qual a mídia se aproveitou a sua maneira.

Sozinho, desmoralizado, cercado por pessoas que mais atrapalhavam do que ajudavam, Michael viu sua carreira e seu passado grandioso serem atropelados por escândalos e informações todos os dias na mídia.

Dessa forma Michael viveu durante anos, afastado dos palcos enquanto estava cada vez mais assíduo nos tribunais e nas audiências. O Rei do Pop estava fadado ao esquecimento e a falência.

Acompanhando a decadência da carreira, Michael, transformava-se fisicamente em outra pessoa. A pele cada vez mais clara, os traços faciais diferentes, assim como os cabelos longos e alisados. Segundo médicos e especialistas, dezenas de cirurgias tornaram o astro outra pessoa. A maior polemica que Michael Jackson carregava era sobre a tonalidade de sua pele. Teria se utilizado de substancias para clarear a pele ou vítima de uma doença conhecida como vitiligo? Essa questão talvez nunca seja respondida.

Depois de anos de reclusão, atolado em dividas e com o fim de carreira sacramentado, o astro ensaiava a volta triunfante aos palcos. Michael fechou contrato para 50 apresentações em Londres no próximo mês. De forma prematura e instantânea (como em quase tudo em sua vida) a morte lhe tirou a oportunidade da volta. Sai de cena o maior fenômeno pop de todos os tempos.

Sua morte ainda indefinida, o que só poderá chegar às respostas no decorrer do processo investigo e através de exames de autopsia poderá entender a morte rápida de Michael. Especulações surgem a toda hora. O ritmo frenético dos ensaios para a nova turnê vitimou o coração do astro?  Essa maratona lhe obrigou a tomar medicamentos de forma excessiva causando uma overdose?  Por que esse contrato com excessivos shows para alguém que estava parado há muito tempo?  Será que as dívidas e o medo de perder outros patrimônios o fizeram agir dessa forma? Ou a própria cobrança de ter sido o número um do mundo?

São perguntas que poderão ser respondidas ou não. O mundo perde um gênio da música, um astro inatingível, um mito inesquecível, uma referência para toda uma época. Michael foi vítima de seu próprio sucesso, da mídia, do mundo do entretenimento, que para faturar e lucrar cria e condiciona pessoas ao extremo. O sucesso tem um caminho duplo. O que vemos é apenas uma face, a do estrelato e do sucesso. O que fica por trás das cortinas e no desligar das luzes não é conhecido.

A história de Michael Jackson mostra e serve como exemplo para nos cidadãos comuns, pobres mortais, que o mito também - às vezes - é normal como eu, como você. Fecham-se as cortinas e apagam-se as luzes. O show acabou.

19

de
junho

O diploma e o profissional

Sempre houve o debate sobre a obrigatoriedade ou não do diploma para determinadas profissões. Vire e mexe essa questão vem à tona. No jornalismo debate sempre permeou as rodas e as discussões sobre o tema.

Para os que defendem o diploma de conclusão de um curso de nível superior para poder exercer a profissão de jornalista, argumentam que se faz necessário pelo fato de que esse profissional deve passar por um processo de seleção, formação e qualificação para poder assinar qualquer editorial ou produzir matérias.

Nesse ponto o articulista concorda. Para determinadas áreas ou setores do jornalismo há a necessidade - até moral e de respaldo profissional - de se exigir essa qualificação.

Nessa discussão posso me enquadrar perfeitamente. Quem vós escreve é um professor de geografia, especialista, mas que não possui formação acadêmica em jornalismo. Apenas tem a eficiência - se é que a modéstia me permite isso - em escrever e argumentar através deste veiculo assuntos importantes e que tem certa relevância.

Sempre me perguntaram se me considerava um jornalista por fazer tal esforço. Sempre respondi que me considero um articulista e não jornalista. Primeiro, porque não tenho a formação para me enquadrar em tal profissão. Segundo, por só produzir artigos através deste blog, não produzindo editoriais, reportagens ou textos mais elaborados, não me sinto confortável em ser considerado um jornalista. Ao contrário de alguns que por escreverem algumas linhas se gabão e cobram para serem chamados de jornalistas.

Da mesma forma, existem diversos jornalistas que aparecem diariamente na televisão, mas que não são formados na área. No decorrer dos anos, no exercício em escrever, em se comunicar, acabam tornando-se excelentes no que fazem.

Com relação a essa questão tenho opinião formada. Com o intenso processo de disseminação da mídia escrita, através dos blogs, das colunas, assim sendo, qualquer cidadão pode ser considerado um jornalista, pois exerce a função de escrever e produzir idéias. Claro que não podemos desmerecer aos que passaram anos estudando e detém um diploma de nível superior na função, mas a medida da não obrigatoriedade fomenta o processo de conscientização e estimulo para que os cidadãos possam escrever, produzir matérias, colunas. 

Outra questão que a não obrigatoriedade produz é a perda do controle e fiscalização por parte dos conselhos, sindicatos e associações sobre o que estes profissionais estão escrevendo ou produzindo. Além do mais, esses profissionais estarão sujeitos a grandes empresas, grandes grupos de comunicação, haja vista, perderão representatividade.

Pelo visto o debate ainda está no começo, muitas discussões ainda tomaram o tempo e a energia dos senhores juízes, para o bem da democracia.

1

de
junho

A derrota anunciada

Agora com a derrota de Belém para Manaus - de forma oficial - na escolha para quem seria uma das sub-sede para os jogos da Copa do Mundo de 2014, aqui no Brasil, as situações voltam para seus respectivos lugares. Não pretendo fazer um exercício de obviedade (que após a derrota escreve como propriedade, ou se gloriando pelo acerto na aposta) sobre a disputa.

Dias antes, o jornalista, Ancelmo Goeis, em seu blog, no portal do Globo na internet, já havia adiantado a vitória de Manaus. O que parecia puro futurologismo e falta de respeito com os paraenses, era a opinião concreta e coerente.

Já havia dito anteriormente (há alguns meses, aqui neste espaço) que Belém perderia a disputa para Manaus. Não por ser bem pior do que a capital amazonense (levando em consideração as exigências e estudo técnico da FIFA), mas pela falta de um planejamento estratégico por parte de nossas autoridades.

Por lá, o governador, Eduardo Gomes (PMDB) chamou para si à responsabilidade de condução de Manaus para ser uma das 12 sedes. Contou com a bancada do estado no congresso, da assembléia legislativa, do prefeito, de vereadores e de cidades próximas. Uma grande pitada de marketing foi bem usada, atrelando Manaus como a capital da Amazônia e repassada dessa forma para o mundo. No exterior há muito tempo a capital do estado do Amazonas se apresenta dessa forma.

Por aqui, nas margens da Baia do Guajará, o governo do estado não se entendia como a prefeitura de Belém e vice-versa. O GT (grupo de trabalho) criado para centralizar as ações em prol da candidatura de Belém não passou de uma balela.

Belém perdeu para suas próprias deficiências. Manaus não estar muito na frente no que diz respeito à infraestrutura. A diferença é que a capital do Amazonas vem recebendo diversas obras e ações que modificaram sua paisagem. Ao contrário, Belém, padece de algumas décadas de atritos entre governadores e prefeitos, o que resulta em menos investimentos na capital paraense.

A maior (e parecia à única) vantagem de Belém com relação à Manaus era o estádio olímpico Edgar Proença, o “Mangueirão” que preenchia a maioria das exigências da FIFA. A capital do Amazonas terá cinco anos para construir o seu. Com relação ao restante das exigências, a capital amazonense ganhava de Belém.

Foi uma vitória incontestável, o que mostra os problemas crônicos de nossa cidade e a inoperância em resolvê-los.

14

de
abril

A melhor decisão

Desde quando criei esse blog, raríssimas vezes, escrevi algo sobre futebol ou situações ligadas a esse esporte. Não por desdenhar quem o faz ou que o futebol não seja atraente o suficiente para o articulista. Não tenho a mesma habilidade em escrevi sobre o mundo da bola, da mesma forma que escrevo sobre outros assuntos. 

Desta vez, me sentir estimulado e com a criatividade de futebolista para discorrer sobre a situação do jogador Adriano. Não abordarei suas jogadas, seus gols, mas a decisão que tomou e sua repercussão no mundo da bola e na vida das pessoas. A decisão do referido jogador em parar (mesmo que seja de forma temporária) de jogar bola é fato impensado nos dias atuais. 

A decisão tomada por ele, por si só é difícil. Demanda coragem, sinceridade, autocrítica e outras qualidades, que talvez só Adriano possa saber. Diversos craques não souberam e ainda não sabe o tempo de parar, ou - pelo menos - de dar um tempo em suas carreiras. O sucesso e o estrelato criam uma barreira de fumaça que escondem os problemas, as crises. O mundo torna-se superficial, duram enquanto estão em campo, fora dele a realidade é outra. 

Diferentemente de outros jogadores, que se escondem em péssimas atuações, quase sempre resultantes de afastamentos por contusões (muitas destas mal explicadas), e que desmascaram a real situação. Adriano não! Resolveu parar, dar um tempo para si mesmo. Quantas vezes já nos perguntamos se é hora de parar? Talvez não, por conta da disparidade de renda entre um jogador internacional e nós. Não podemos nos dar esse luxo. 

Independentemente das diversas teorias psicológicas que deverão surgir para explicar e justificar o ato do jogador, agora ex da Inter de Milão. Adriano só quer ser feliz, renascer não só como jogador (que para a maioria é só o que importa), mas como homem, o que é mais importante. 

O menino pobre da Vila Cruzeiro quer simplesmente voltar às origens, qual mal pode haver nisso? O mundo do estrelato, da fama, das mulheres, não lhes serve mais. Isso se tornou efêmero, como realmente é. O dito “imperador” quer mesmo é empinar pipa em uma laje, descalço e só de bermuda, isso lhe é mais familiar, o torna mais feliz.  

Após a concentração no jogo da seleção em Porto Alegre, na semana passada, Adriano sumiu. A quem preferir foi se reencontrar com sua vida, com sua história. A mídia tratou a questão sob sua ótica (quase sempre reprovável, que o diga Ronaldo). Tratou a questão como descaso de Adriano, na qual estaria envolvido com traficantes, consumido drogas, perpetuando a imagem marginal da favela. 

Enquanto milhares de jogadores renegam seus passados a todo custo, Adriano pelo contrário, orgulha-se do passado, da pequena Vila Cruzeiro. 

Se vai parar de forma definitiva, ou pelo menos de forma temporária, Adriano por sua atitude mostra que o mundo não se resume ao estrelato, a fama, o dinheiro, mas sim pelas pequenas coisas, dos valores. Ainda bem!.

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